quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Charles Darwin e a Árvore da Vida 1 de 6

documentário sobre a origem das espécies, de Darwin

(HD) - Quem Somos Nós ? parte 01 / 12

tenho o livro e indico o filme dessa quebra paradigmática da mecânica clássica pela quântica.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

o coração do baião- composição de zezé e tainá aragão

estou enviando alguns vídeos com trabalhos musicais -vocal e instrumental- para o you tube - contate em Fortaleza 85-99334449 - disponível para eventos às quintas e sextas, a partir das 21:00 h

luísa tom jobbim intérprete zezé aragão

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kroma zen - composição de zezé aragão

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

site do Zezé Aragão

Com essas novas ferramentas do google, estou fazendo um site que vai ficar legal e deverá englobar todas as mídias que uso. Tá em início, sem conteúdo, mas já tem alguma coisa. Abração!!


link:


terça-feira, 30 de setembro de 2008

BLOG´S DO ZEZÉ - 01 ANO

Estou completando 01 ano aqui no mundo virtual, em forma de blog. Estou devendo muito, eu bem sei, mas é por justo motivo: os estudos e trabalhos diversos não me estão deixando tempo disponível para atualizações constantes desses espaços. De qualquer forma, farei o possível para atualizar completamente os dois blogs até o final deste ano. Sinto-me orgulhoso de ter um retorno de toda parte do Brasil, por pessoas que me pedem cópias de livros de minha biblioteca, bem como as resenhas e fichamentos estão sendo úteis a estudantes que procuram sobre certos assuntos na internet. No mais, antecipo um feliz natal e ano novo maravilhoso para todos. Um grande beijo no coração de todos !!! Francisco José Alves de Aragão - Fortaleza,Ce, Brasil, mensagem escrita aqui no Núcleo de Pesquisas e Estudos Regionais-NUPER_, Campus do Benfica, da Universidade Federal do Ceará, neste final de tarde de terça-feira, 30 de Setembro de 2008.

Palestras4 : Conhecimento, Interpretação e Hermenêutica

Conhecimento, Interpretação e Hermenêutica"
Faculdade Christus, 27.09.2008


Tratou-se de palestra com o tema “Conhecimento, Interpretação e Hermenêutica, com o prof. Raimundo Bezerra Falcão, da Universidade Federal do Ceará. Feitas as devidas apresentações pela debatedora, Profª. Germana Belchior, começou o renomado autor do livro “Hermenêutica” a traçar os fundamentos do processo de conhecimento, fazendo as delimitações do que seriam o “sujeito cognoscente” e o “objeto cognoscível”. Os objetos cognoscíveis, salientou ele, apresentam-se na dimensão de sua forma. Não são inteiramente como são, ou seja, não são apresentados aos sentidos em sua completude, posto que no âmbito sub-atômico, p.ex., os átomos apresentam mais espaço do que propriamente matéria, e citou o exemplo de uma simples mesa. Citando Bacon, atribuiu-lhe o crédito da afirmação de que “tudo que está no intelecto passa pelos sentidos”, e, completou Libnitz a afirmação pretérita com “...exceto o próprio intelecto”. É preciso, porém, que a relação entre sujeito x objeto seja percebida, conscientemente, ou melhor, o sujeito haverá de se aperceber do objeto cognoscível. O professor tratou então de conceituar o que seria “conhecimento”: É o processo pelo qual o sujeito cognoscente se apercebe, conscientemente, da realidade do objeto cognoscível. Deste ponto em diante o renomado mestre passou a tratar do ramo da Filosofia dita ontológica , ou seja, a que trata da teoria do ser, explicando ele que os bilhões de tipos de seres ou objetos podem ser divididos em 04 grandes grupos, quais sejam : Objetos Ideais; Naturais; Culturais; Metafísicos. Os Ideais só existem como idéia, não existem no tempo e no espaço, como a matemática, explanou o professor. Aqui ele abriu um parênteses para dizer que “a coisa é, quando foi objeto do pensamento humano e, a coisa existe, quando independe de ser pensada. Pensou, passa a ser, independente de existir ou não. Os objetos Naturais são os produtos da natureza, animais, vegetais e minerais. Os Culturais são os que o homem empresta sentido, alterando a natureza. Estes necessitam de uma base material. Deu o professor então o exemplo da linguagem.Já os objetos Metafísicos são aqueles de dimensão superior ao mundo físico, de dimensão espiritual, etc...Estes o homem pode apenas especular ou intuir. O notório professor passou então a explanar sobre Hermenêutica, dizendo tratar-se da atividade pela qual o ser humano capta o sentido das coisas, pois tudo é interpretável. É a captação de sentido para a realidade. Disse o professor que a natureza também nos diz coisas, que é interpretável, nos provoca sentimentos. “Aquilo que me faz bem pode fazer mal a alguém” , ou seja, o sentido é inesgotável, pois a mente cria inesgotavelmente. Portanto, para interpretar é preciso se prevenir de que o sentido é inesgotável. Elegemos nossas próprias conclusões. Agora, a Hermenêutica traça diretrizes no intuito de não deixar os sentidos tão multifacetados, portanto é ela a parte da Ciência e da Filosofia que nos ensina o “bem interpretar”. Os bons objetivos da interpretação devem ser um porta-voz do bem comum, do senso de responsabilidade para consigo e com os outros. Há, segundo o professor, 02 tipos básicos de hermenêutica; I) para aplicação (em virtude dos valores de alguém – o que envolveria responsabilidade maior, pois envolve valores de outros seres humanos); e II) para si próprio (apenas para conhecimento). Segundo Sócrates o conhecimento faz a dignidade do homem, e o homem é portanto um animal hermenêutico, que escolhe bons e maus valores. Passou-se então a fase debatetória, com perguntas e respostas, pelo que a professora debatedora, Srta. Germana Belchior formulou as seguintes questões: A relação entre pré-compreensão e hermenêutica, o que seria? Como o Sr. vê os grandes primatas como sujeitos de Direito. O professor respondeu que para nos aperceber-mos da realidade precisamos de raciocínio, no entanto já temos pré-conceitos estabelecidos. Esses conceitos ou pré-compreensões têm relação estreita com a hermenêutica, pois lhes dão diretrizes; no tocante aos grandes primatas, disse o professor que os mesmos não podem ser sujeitos de Direito, pois para que tal situação se configurasse como factível, os animais deveriam ser imputáveis, pois sempre que se fala em Direito há que falar-se em sua antípoda, a obrigação. Como esses animais iriam pagar suas transgressões com caretas? Indagou o professor. Por fim, o professor explanou sobre o relativismo filosófico, citou Protágoras na sua frase célebre que “o homem é a medida de todas as coisas” e falou da dimensão coletiva do homem, que é a primeira, até mesmo porque quando da concepção, os gametas se encontram, já estamos falando em encontro, em coletividade, em dupla. Então, resta ao homem saber conviver com essas dimensões, sob pena de se ver à margem de tudo e de todos.

terça-feira, 1 de julho de 2008

RELAÇÃO DE LIVROS CATALOGRAFADOS PARA CÓPIA AOS AMIGOS INTERESSADOS

Nota ==> SERVIÇO DE UTILIDADE AOS AMIGOS ==>Para acessar a minha biblioteca particular, clique no link recomendado no lado esquerdo = ZEZÉ ARAGÃO -Serviços Profissionais - onde disponibilizo todos os meus livros para cópia a quem tiver interesse.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Resenhas6 - Estado Novo: Novas Histórias

ESTADO NOVO, NOVAS HISTÓRIAS, de Maria Helena Capelato = fichamento resenhado=
Por Francisco José Alves de Aragão

A Profa. Maria Helena Capelato, em seu texto Estado Novo: Novas Histórias, faz um ensaio sobre as novas teses desenvolvidas a partir dos anos 1980, trazendo à baila muitos autores que revisitaram o período, para concluir que não houve um regime “totalitário” no país para o período em apreço, na acepção literal do termo e, sim, experiências específicas em relação aos modelos alienígenas europeus.
A renomada professora da USP relaciona, no decorrer de seu artigo, os seguintes autores: Ângela de Castro Gomes, Maria Célia Paoli, Gino Germani, Octávio Ianni, Maria Sílvia Carvalho Franco, Francisco Weffort, René Gertz, Lígia Medeiros e Mônica Hirst, Margarete Tavares, Ana Maria de Lima Brandão, Cássia Maria Mello da Silva, Lúcia Lippi Oliveira, Maria Luíza Tucci Carneiro, Stella Maria Floresani Jorge, Silvana Goulart, Arnaldo Daraya Contier, Helena Maria Bousquet Bomeny, Alcir Lenharo, Eliana Freitas Dutra, Jorge Luís Ferreira, José Luiz Werneck, Pierre Birbaum, Roberto Romano, Bronislaw Bazcko, Claude Lefort, Cláudia Schemes, Fernando Limongeli, José Inácio de Melo Souza, Cláudio Aguiar Almeida. Todos eles revisitaram o período em questão, cada um com seu objeto de estudo específico, seja o rádio, o cinema, a televisão, imprensa, artes, música, cultura, classes sociais, intelectuais, populismo, trabalhismo, fotos, livros, obras arquitetônicas, etc...diante do que ela fez um relato de tais estudos e a maneira como se deu o relacionamento dos atores envolvidos naquele período, para embasar a fundamentação de que não houve um totalitarismo no Estado Novo, que esse termo é inadequado, na medida em que há muitas brechas que fogem àquela terminologia, como se verá no decorrer desta resposta.
Em realidade, as novas abordagens apontam para as especificidades brasileiras em relação aos modelos externos: aspectos da propaganda política, existência de perspectivas distintas em relação à radiodifusão, interesses divergentes na área cinematográfica indicando que não houve enquadramento total dos veículos de comunicação naqueles moldes ideológicos, etc... O regime foi palco de interesses conflitantes e houve até mesmo eliminação de planos ou de parte deles para a integração de propostas distintas, no caso dos grupos que disputavam o controle dos meios de comunicação. A política cultural, embora de inspiração nazi-fascista, distancia-se desta em muitos aspectos, posto que na Alemanha e na Itália houve uma cultura de consenso, incluindo as classes populares, enquanto no Brasil essa política de consenso envolvia, prioritariamente, os setores de elite, os intelectuais, onde se foi buscar a legitimação do regime.
Passemos então ao tratamento dos questionamentos em torno do debate historiográfico e da relação do Estado Novo com outros atores sociais, classe trabalhadora, intelectuais, sistemas de propaganda, política de massas, etc...
Os artigos do livro Estado Novo: ideologia e poder, de 1982, das pesquisadoras do CPDoc, indicam a especificidade do Estado Novo e contestam a identificação simplista com o fascismo europeu. Segundo as autoras, os princípios estadonovistas não foram formulados em 1937, mas receberam aí uma roupagem oficial e foram utilizados como instrumentos de poder. Entre outros temas, são explorados: a contribuição dos intelectuais na construção doutrinária do Estado Novo, a natureza do Estado Nacional, relação entre cultura e poder político, etc...
A tese de Ângela Gomes sobre A invenção do trabalhismo explica como os trabalhadores aderiram à política Varguista, interessados que estavam pelos benefícios trazidos pelo Direito Trabalhista (lógica material), bem como pela pela lógica semiótica de formação e mobilização de identidade. Esta última transformava o atendimento às demandas dos trabalhadores em ato de generosidade.
O trabalho de Ângela inspira o de Jorge Ferreira, Trabalhadores do Brasil. O Imaginário Popular , onde o autor estuda os trabalhadores, não como objetos da política Varguista, mas como sujeitos políticos, com relativa margem de autonomia para realizar escolhas. Explica ele como foi possível a construção de um pacto entre povo e presidente, o que permite entender como o ditador transformou-se no maior mito da política brasileira.
Já no polêmico livro de Maria Luíza Tucci Carneiro, O anti-semitismo na era Vargas: fantasmas de uma geração , mostra altos representantes do poder afinados com as teses raciais do nazismo e manifestavam preconceitos contra os Judeus.
Já Silvana Goulart, em Ideologia, Propaganda e Censura no Estado Novo, analisa como o DIP- Departamento de Imprensa e Propaganda, posto em prática a partir dos anos 30, se consolida no Estado Novo para exercer o controle da comunicação social, quando o Estado assumiu o monopólio da mídia e procurou eliminar a contrapropaganda dos opositores, instrumento esse que cerceou a liberdade de expressão no país por cerca de 50 anos.
Na análise do historiador Arnaldo Daraya Contier, em seu Música, Nação e Modernidade: Os anos 20 e 30, percebemos as conexões entre música e poder, permeando toda a produção musical brasileira nos anos 20 e 30. A tese mostra que as composições musicais no pós-1930 transfiguraram-se em arma de propaganda do regime político. As obras escritas por Villa-Lobos e Lorenzo Fernandes contribuíram para a sacralização de um conceito sobre a música brasileira que impôs um caminho a ser trilhado pelos compositores, procurando-se privilegiar o nacionalismo musical como única alternativa possível para criar-se um pólo cultural independente dos centros artísticos tradicionais.
Outro trabalho apreciado é o de Luiz Reznik, Tecendo o Amanhã – A história do Brasil no ensino secundário: programas e livros didáticos. 1931 a 1945. , mostrando o caráter político-ideológico da educação no período, a transformação do processo educacional e dos instrumentos pedagógicos em arma de propaganda do regime.
Alcir Lenharo reconstituiu, através de textos políticos e literários, a construção do imaginário político com vistas à reafirmação do controle social. Em A Sacralização da Política, interpretou o significado de várias imagens difundidas no período. Estudou o sentido da marcha, para compor um itinerário mítico que vai das bandeiras paulistas ao Estado Novo, e a emergência do corpo como metáfora da nação, associando a imagem mística de Cristo com o corporativismo, levando-o a concluir que no Estado Novo produziu-se uma sacrlização da política, visando dotar o Estado de uma legitimidade capaz de tornar mais eficientes os novos dispositivos de dominação engendrados pelo poder. São palavras, gestos, imagens, idéias, projetos e soluções que se produziram na perspectiva de domínio político e controle social.
Eliana Freitas Dutra nos brinda com O ardil totalitário ou a dupla face na construção do Estado Novo , onde se depara com um quadro de dispositivos, estratégias e conteúdos que revelavam uma disposição totalitária naquela sociedade. Embates anticomunistas e comunistas e seus respectivos projetos de identidade nacional, destacando as polaridades temáticas que alicerçam a construção do edifício totalitário, sustentado sobre quatro pilares: anticomunismo/revolução, trabalho, pátria e moral. È de onde se definem normas e valores para orientar práticas destinadas à preservação da ordem, controle das relações sociais e ao enquadramento do mundo do trabalho. O campo do imaginário é o campo do enfrentamento político, onde a luta das forças simbólicas provoca mudanças na sociedade. Percebe-se claramente a representação de um jogo de símbolos e imagens no campo político. Há uma aproximação temática com o trabalho Prisioneiros do mito: cultura e imaginário político dos comunistas no Brasil (1930-1956), de Jorge Luiz Ferreira. , onde ele se volta para a cultura e o imaginário político dos comunistas brasileiros no período stalinista, no caso, os militantes comuns, homens e mulheres que fizeram do comunismo seu projeto de existência e identidade social. Embora os comunistas se apresentassem como produto de um processo de dessacralização do mundo, eles não conseguiram repudiar, por completo, a herança religiosa das sociedades do passado.
José Luiz Werneck, organizador da obra O feixe e o prisma: uma revisão do Estado Novo, analisa o fenômeno do autoritarismo nos múltiplos tempos em que ele ocorreu no processo ideológico brasileiro, enfatizando às perspectivas de histórias comparadas, nacional e internacional. Essas análises abriram uma nova perspectiva para a compreensão do poder, indicando a importância do imaginário e do simbólico.
Roberto Romano, em O conceito de totalitarismo na América Latina, argumenta que a noção não se aplica , em sua plenitude, a nenhum país americano. O totalitarismo implica a união absoluta entre massas nacionais e Estado: mesmo nos momentos mais críticos não é possível dizer que desapareceu absolutamente a oposição ao poder no interior da sociedade. A autora do artigo que estamos dissecando, Maria Helena Capelato, concorda com o argumento de Romano de que os traços totalitários são identificáveis nos discursos e práticas de Vargas, mas não se pode dizer que tenha havido, no período, efetivação histórica do conceito em plano macro-institucional e societário. As oposições democráticas e os adversários do Varguismo continuaram atuando, a repressão foi intensa, as liberdades foram anuladas, mas não ocorreu o monopólio absoluto do Estado no plano físico, jurídico ou econômico. O imaginário totalitário até tinha receptividade numa significativa parcela da sociedade, mas a imagem homogênea e harmônica veiculada pela propaganda política não se constituiu na opinião única em torno do regime e seu líder.
Francisco C. Falcon compara os aspectos políticos e culturais do Estado Novo com a experiência peronista, encontrando novas possibilidades de compreensão da política de massas posta em prática nos dois países. Maria Helena Capelato diz em seu próprio trabalho que as diferentes realidades não se mantêm separadas, havendo entre elas um movimento constante de circulação de idéias, imagens e práticas políticas que, ao se transportarem da Europa para a América, são apropriadas e reproduzidas, ganhando novo significado.
O regime brasileiro procurou seguir o modelo de publicidade comercial norte-americana para sua propaganda política, pois nas décadas de 30 e 40 ocorreu, em âmbito mundial, um avanço considerável dos meios de comunicação. A referência básica é a sedução, elemento de ordem emocional de grande eficácia na atração das massas. Bronislaw Bazcko afirma que a história dos imaginários sociais se confunde, em larga medida, com a história da propaganda. Os meios de comunicação passaram a dispor de aparatos técnicos e científicos altamente sofisticados, que permitem a fabricação e manipulação dos ideais coletivos. Fabricam necessidades, abrindo possibilidades inéditas à propaganda, que se encarrega, ela mesma, de satisfazê-las. Ela é estratégica para o exercício do poder, adquirindo força muito nos estados que exercem censura rigorosa sobre o conjunto de informações, manipulando-as como aconteceu no Estado Novo.
Segundo Claude Lefort, a ilusão da unidade oferece o acamento perfeito para o ocultamento dos sinais de divisões e conflitos sociais, e também tende a soldar o poder à sociedade. O poder utilizou meios espetaculares para ficar marcado na história: festas cívicas e comemorações de todo o tipo. Cláudia Schemes analisou as Festas cívicas e esportivas no populismo , mostrando a importância das mesmas , ostentando a grandeza do poder, além de serem propícias à exaltar as sensibilidades. Os sentimentos são manipulados de forma intensa, as emoções tendem a se exacerbar.
A organização da propaganda estadonovista apresentou características particulares e produziu efeitos distintos das congêneres européias . Simão Lopes, assessor de Vargas, em visita à Alemanha fica surpreendido com a organização da propaganda política daquele país, dizendo que fascina tanto que se permitia sugerir a criação de um sistema similar no Brasil. Chateubriand aconselha Vargas a seguir à risca o modelo de propaganda alemão, que pela produção da sugestão coletiva obtém resultados até hipnóticos, reduzindo o número de heréticos. Com o advento do Estado Novo consolidou-se a peça fundamental para todo esse processo: o DIP , órgão vinculado à presidência da república, resultante do aperfeiçoamento da intervenção estatal nos meios de comunicação. Em São Paulo, os jornais liberais foram praticamente silenciados e tiveram que aceitar em suas redações elementos nomeados pelo governo. O jornal O Estado foi expropriado e, juntamente com o A noite e o O dia foram os principais encarregados de fazer a propaganda do regime. Houve cooptação de jornalistas, mas isto se explica pelo fato de o governo ter atendido às manifestações da categoria. No caso da radiodifusão, o Brasil apresentou características distintas da Alemanha e Itália. Desde 1932, Vargas estabelecera ser a radiocomunicação um serviço público que dependia de concessão do governo. O uso político do rádio esteve voltado para reproduzir discursos , mensagens e notícias oficiais. A hora do Brasil foi reestruturada em 1939 e tinha finalidade informativa, cultural e cívica, divulgava os discursos oficiais, os atos de governo, procurava estimular o gosto pelas artes e exaltava o patriotismo. Fernando Limongeli escreveu A integração nacional pelas ondas. O rádio no Estado Novo, onde mostra o embate entre o grupo de intelectuais ligados ao Estado Novo e que concebia o rádio como instrumento político-ideológico, e os interesses da esfera comercial da radiodifusão, que buscava transformá-lo em instrumento de publicidade comercial. O autor chega a conclusão de que não foi possível controlar o rádio pelo regime.
O cinema também merece atenção especial no varguismo. O próprio Vargas demonstrou interesse nesse campo, pois acompanhara a experiência alemã, onde o desenvolvimento fora excepcional. Promovendo a realização de películas que valorizassem os aspectos naturais do Brasil, ações de governo e reconstituições históricas, institucionalizou uma política de proteção à indústria cinematográfica. Essa indústria pôde contar com o apoio do presidente, que concebia o cinema como veículo de instrução. Depois da primeira grande guerra , o cinema norte-americano penetrou muito fortemente no Brasil, vendendo o modo de viver americano, produtos como a coca-cola, as revistas, os filmes. Nomes do cinema nacional reivindicaram que o Estado o protegesse dessa concorrência, pelo que o governo decreta a lei de obrigatoriedade de exibição de filmes nacionais. Mello Barreto Filho , em seu livro Anchieta e Getúlio Vargas, descreve toda essa passagem brasileira . Com a criação do DIP, a divisão de cinema e teatro ficou encarregada da censura prévia dos filmes e cinejornal. As regras para censura indicavam como casos de veto o incitamento contra o regime, à ordem pública e às autoridades constituídas. O ministro Capanema tinha como projeto transformar o cinema em instrumento de educação, retirando seu caráter de diversão. O modelo era a LUCE da Itália Fascista. O ambiente político estimula a criação de filmes de ficção que reproduzissem os valores apregoados pelo regime. Um exemplo é a película Argila, de Roquete Pinto. Cláudio Aguiar Almeida escreveu O cinema como agitador das almas: Argila, uma cena do Estado Novo, abordando a trajetória do cinema brasileiro dos anos 20 até 1945, mostrando as relações do cinema com o poder, filmes engajados politicamente. No entanto, a conclusão do autor é a de que a recepção desses conteúdos é desastrosa, diferentemente no ocorrido na Alemanha, onde a maioria dos filmes era de diversão, com a inserção dos ideais do regime. Aqui, os filmes tinham um conteúdo pedagógico explícito, o que os tornava indigestos, além de disputar público com as produções norte-americanas, bem recepcionadas pelo brasileiro. O cinema educador/nacionalista brasileiro resultou em fracasso . Tanto no caso do cinema quanto no do rádio, os projetos ideológicos formulados pelo regime tiveram de concorrer com o setor privado – no caso do cinema, interesses estrangeiros que utilizavam esse veículo para vender mercadorias, obtendo melhor resultado que os nossos ideólogos nacionalistas .
Esses foram os debates historiográficos tratados pela autora Maria Helena Capelato, que trataram da simbologia, sistemas de propaganda, classe trabalhadora, política de massas, etc... de resto passaremos então aos questionamentos em torno da concepção de cultura e participação dos intelectuais, para dar fim à presente resposta:
A revista Cultura Política ficou encarregada da produção do discurso ideológico do Estado Novo. O discurso era no sentido de afirmar a coincidência de interesses entre a nova política e os anseios dos intelectuais, atribuindo-lhes papel vital, posto que constituíam o setor mais dinâmico da sociedade, intermediários entre o governo e o povo, ficando encarregados de indicar os rumos estabelecidos pela nova política. Eram apontados com as expressões mais lúcidas da sociedade. Continuava-se o discurso estadonovista com a menção de que ...enquanto a política liberal excluía a inteligência dos processos decisórios, no Estado Novo o governo transformou-se em tutor ou pai da intelectualidade, e esta deveria se converter em sua fiel colaboradora, por ter um dever para com a pátria. Em torno da revista reuniam-se as correntes mais heterogêneas da intelectualidade brasileira, autores de grande projeção e perfil político menos marcado, e também representantes da extrema direita católica e comunistas. A revista afirmava aceitar a colaboração de todos, independente de seu cunho ideológico. Drummond foi chefe de gabinete do ministro, Mário de Andrade dirigiu o departamento de teatros, o que não implicou uma adesão destes ao autoritarismo. Eram funcionários públicos e não lhes fora exigida fidelidade ideológica. Na composição dos cargos, havia escritores ditos “menores” (praticantes de uma subliteratura), que trabalhavam sob encomenda, como forma de retribuir os favores de seus protetores. O autor Sérgio Miceli estabelece uma distinção entre esses tipos de intelectuais: escritores funcionários e funcionários escritores.
Concluindo, os intelectuais brasileiros foram, ao mesmo tempo, vitimados pela repressão e favorecidos pela posição privilegiada que lhes fora atribuída pelos ideólogos estadonovistas, que os convocaram a participar da organização do novo governo e a teorizar sobre a questão nacional. Convocação esta, em última instância, que servia para legitimar o regime oriundo de um golpe. O regime considerava o povo brasileiro inepto para a participação política, propondo-se a organizar o novo estado pelo alto, o que explica a preocupação em ganhar o apoio das elites intelectuais, a quem era dirigida a proposta de consenso e lhes atendendo reivindicações, apoiando a organização de associações e oferecendo recursos a iniciativas culturais.
Na minha interpretação particular, os intelectuais brasileiros estavam numa “sinuca de bico”. Quem ousaria contestar o regime? Era uma situação difícil, de temor, de medo, em que silenciar era a melhor opção para o momento. Basta se colocar na pele daqueles senhores, melhor simular que estavam sendo definitivamente manipulados pelo regime, a arriscar a vida naquele momento temerário. Portanto, a intelectualidade brasileira daquele momento se comportou ou simulou comportamento de classe intermediária, entre o Estado e as massas, a fim arregimentar aquelas almas, formadores de opinião que eram.

Resenhas5 -Mesopotâmia-

Aspectos de nomadismo, sedentarismo, terra, propriedade, agricultura, trabalho e Estado na MESOPOTÂMIA.
Por Francisco José Alves de Aragão
==> Pois bem, vou desenvolver este trabalho em forma mista de fichamento/ resenha, baseado nos textos disponibilizados durante o semestre e alguns outros de meu acervo pessoal. Para começar vou fazer uma síntese geral dos aspectos solicitados pelo Professor Gustavo e, já entrando diretamente no tema do NOMADISMO, é dizer que antes de 8.000 a.C. os homens eram na maior parte andarilhos, nômades, basicamente porque tinham de obter comida e, para isto, tinham de seguir as migrações das manadas, embora colhessem também alimentos selvagens. Mesmo os grupos que viviam junto a animais não-migrantes não estabeleciam raízes, pois os animais que se estabeleciam em um só lugar não estariam disponíveis para sempre, então, quando a caça diminuía num local, chegava a hora de mudar.
==> A vida de nômade é inconstante, não constroem, suas energias estão voltadas para mudar-se, caçar e mudar outra vez. Não há impulso nem incentivo para desenvolver, melhorar ou aperfeiçoar um lugar específico. É neste ponto que entra uma questão que mudará sobremaneira a vida dos homens, por volta de 8.000 a.C. , ninguém sabe ao certo como surgiu, mas o fato é que surgiu, a AGRICULTURA deu aos homens uma razão para ficar num só lugar, principalmente atrelada ao fato de, juntamente a ela , criar animais. A fonte de alimentos não tinha mais de ser perseguida sem parar.
==> A idéia de que a comida podia ser produzida de forma ativa, em vez de passivamente perseguida foi um grande avanço rumo à Civilização: criação de povoações e culturas constantes e coesas ( isto já começa a nos dar uma idéia de TERRA/PROPRIEDADE) ; A fixação exigiu construções, estruturas de todo tipo, inclusive as de intelecto: idéias e sistemas. Agora havia tempo para pensar, sentar, formular , inventar (SEDENTARISMO). Embora fosse um passo enorme aquele da agricultura, ainda havia muita coisa além do controle da capacidade humana. Plantava-se sementes , mas se não houvesse suprimento de água suficiente, estas não se transformariam em alimento, de fato.
==> Os seres humanos não estavam mais algemados às migrações das manadas, mas ainda eram vassalos desamparados da chuva e vítimas das secas; a partir deste ponto percebe-se que as pessoas começaram a cultivar e colher água (por volta de 5.000 a.C.). Como os rios correm até muito tempo depois de a chuva terminar, elas começaram a cavar canais ligando a margem dos rios às terras próximas. Assim, mais terra tornou-se produtiva, e durante períodos mais longos. É claro que isso tudo exigia TRABALHO (nosso próximo aspecto, solicitado pelo professor) , e não apenas o esforço de abrir canais, que exigiam manutenção constante.
==> Era preciso cooperar, coordenar e isso exigia liderança, princípios de estrutura social, lei e governo. Se a agricultura deu às pessoas uma razão para se estabelecerem e os meios de fazê-lo, a irrigação foi um motivo para a criação da chamada cidade-ESTADO, a precursora das nações.
==> Basicamente termino por aqui esta síntese geral, passando agora a esmiuçar os textos que li a respeito da Mesopotâmia, em forma de fichamento-resenhado, sempre destacando os aspectos solicitados pela diretiva do trabalho, quais sejam: Terra/Propriedade, Trabalho, Nomadismo/Sedentarismo e Estado.
==> Berço de algumas das mais ricas civilizações humanas, a Mesopotâmia viu surgir os primeiros impérios, as primeiras cidades da antiguidade e algumas importantes invenções do homem, como a escrita e a legislação. Mesopotâmia (em grego, região entre rios) foi o território que está situada na região delimitada pelos rios Tigre e Eufrates, no sudoeste da Ásia. Embora seus limites variassem em diferentes períodos de sua história, de modo geral a Mesopotâmia abrangia, na antiguidade, o território do atual Iraque, ficando ao norte a cordilheira dos Taurus, que a separa da Armênia, ao sul o golfo Pérsico, a oeste a Assíria e a leste a Síria. O limite entre as regiões norte, montanhosa, e a sul, plana, era a zona de Bagdá, onde mais se aproximam os rios Tigre e Eufrates. ==> Os romanos as denominaram, respectivamente, Mesopotâmia e Babilônia. Muitos grupos étnicos tentaram fixar-se na região, e esses movimentos migratórios acabaram por fazer surgir importantes civilizações, como a dos assírios, que ocuparam a área montanhosa, e a dos sumérios e babilônios, instalados nas planícies do sul. A essência da cultura suméria se manteve mesmo após a desintegração do estado sumério e por isso pode-se, apesar da grande diversidade dos grupos étnicos, falar de uma civilização mesopotâmica.
==> A Bíblia, o relato de Heródoto e os textos do sacerdote babilônio Berossos, estes datados de aproximadamente 300 a.C. eram, até o fim do século XIX, as únicas fontes de informação sobre a história da Mesopotâmia. As escavações iniciadas em meados do mesmo século, no território do Iraque, e a decifração dos caracteres cuneiformes permitiram avaliar o papel desempenhado pela Mesopotâmia na criação de sociedades urbanas mais evoluídas.
==> A escrita cuneiforme foi empregada na Babilônia até o século I a.C. e o idioma, como língua erudita, até o primeiro século da era cristã. Com a decifração dessa escrita, foi possível descobrir a literatura da região, cujos épicos tiveram como um dos principais temas a sensação de instabilidade provocada pelo difícil controle dos rios Tigre e Eufrates. A escrita cuneiforme sobreviveu também ao domínio helenístico. A influência do grego era significativa, mas tudo indica que o aramaico se tornou a língua popular, em especial nos centros urbanos da época.
==> Os primeiros imigrantes chegaram à Mesopotâmia no quarto milênio a.C. Fixaram-se no sul e ali criaram o que teria sido, segundo a tradição suméria, seu primeiro núcleo urbano, Eridu. O povoamento tornou-se mais intenso no milênio seguinte, com um novo movimento migratório, procedente do leste. Ao mesmo tempo, no norte, grupos de origem semítica formavam uma nova cultura, que assumiria gradativamente papel preponderante na região. As escavações comprovaram não haver nesse período uma separação estrita entre as duas regiões, na medida em que nomes semitas são encontrados entre os sumérios. A Mesopotâmia era, de todo modo, povoada por dois povos de origens distintas, o que explica as denominações de terra de Sumer (sul) e Acad (norte).
==> As primeiras tentativas de organização de aldeias agrícolas na área de Acad foram registradas em sítios arqueológicos como Hassuna, Jarmo e Samarra. Do ponto de vista cultural, os grupos que habitavam a área no chamado período Obeid I eram atrasados em relação aos povos do sul, mas alguns centros, como Nínive, já se assemelhavam mais a cidades do que a aldeias.
==> Os habitantes do norte expandiram-se para o sul, no século XXIV a.C., e fundaram um reino unificado sob o governo de Sargão, criador de uma dinastia semítica, cuja capital era a cidade de Acad. Os invasores não possuíam cultura própria, motivo pelo qual absorveram a cultura e as técnicas de guerra do sul. Assim, a transferência do centro do poder político, de início instalado na cidade de Acad, para Nínive ou Babilônia, não teve influência na evolução cultural da região.
==> Com a terceira dinastia de Ur, cujos domínios incluíam a Assíria, praticamente completou-se a unificação da Mesopotâmia. O norte preservava apenas seu idioma semita, escrito, porém, em caracteres cuneiformes sumérios. Por volta de 2000 a.C., invasores elamitas e amorritas derrubaram essa terceira dinastia de Ur. Após um período de destruições, o sul voltou a prosperar, enquanto, no norte, Assur tornou-se independente e na Babilônia surgiu uma dinastia local, amorrita, apoiada pelos semitas acadianos.
==> Babilônios e assírios. O mais poderoso soberano da Babilônia foi Hamurabi, responsável por uma nova unificação da Mesopotâmia. Seu império se estendeu do golfo Pérsico até o norte de Nínive, e das montanhas elamitas até a Síria. A região logo voltaria a ser dividida, entretanto, entre o sul e o norte, depois que os reis cassitas derrubaram a dinastia de Hamurabi. Os cassitas mantiveram a cultura e as tradições babilônicas, mas transformaram o reino com uma ampla reestruturação administrativa e a adoção do sistema feudal. A dinastia cassita governou até cerca de 1430 a.C., e seu domínio foi marcado por uma significativa produção literária. Algumas das obras do período configuraram um padrão para épocas posteriores, até mesmo para a redação da epopéia de Gilgamesh.
==> Após o período da dinastia cassita, a Babilônia perdeu sua influência política, ao mesmo tempo em que o poderio dos assírios cresceu consideravelmente. Nesse período, invasores indo-europeus criaram diversos estados na região, entre os quais o reino de Mitani. No século XII a.C., o poderio assírio chegou ao apogeu sob o reinado de Tukulti-Ninurta I. A Assíria dominava então toda a região localizada a leste do Eufrates. Os sucessores do soberano não conseguiram manter o território, cuja desintegração política foi motivada também pela chegada à região de diversas tribos de arameus, que aí fundaram vários reinos independentes.
==> Nos séculos seguintes, os reinos arameus começaram a ser incorporados ao império da Assíria, a que a Mesopotâmia voltou a ficar subordinada. Nesse período, a ascensão de uma das tribos dos arameus, os caldeus, contribuiu de maneira significativa para a queda do poderio da Assíria e para o estabelecimento, no sul da região, do reino neobabilônico de Nabopolassar. Esse soberano firmou com Ciaxares, da Média, uma aliança que dividiu a Mesopotâmia entre medos e babilônicos, situação que se manteve até 539 a.C., quando a região foi transformada numa satrapia do império persa durante o reinado de Ciro. No período, registrou-se um florescimento cultural, em que a literatura, a religião e as tradições sumérias e babilônicas eram preservadas nas escolas dos templos.
==> Em 331 a.C., a vitória de Alexandre o Grande sobre Dario III marcou o início da colonização macedônica. A Babilônia tornou-se então importante centro cultural, verdadeiro ponto de encontro entre as culturas grega e oriental. Com a morte de Alexandre, instalou-se uma dinastia selêucida que governou por pouco mais de um século. Por volta de 140 a.C., a Mesopotâmia foi incorporada ao império parta.
==> Domínio romano. No ano 115 da era cristã, o imperador romano Trajano submeteu a região até Singara. Sob o domínio de Roma, foi gradativa a difusão do cristianismo, por intermédio dos cristãos da Síria, que fundaram o bispado de Edessa. Esse bispado converteu-se depois à heresia nestorianista, cujos integrantes se congregaram em Nísibis, em meio a uma complicada situação religiosa, na qual as decisões do Concílio de Calcedônia contra o monofisismo acabaram por provocar a divisão dos cristãos em três grupos: nestorianos, jacobitas e melquitas.
==> A partir do século III, a luta de Roma dirigiu-se contra as pretensões sassânidas na Mesopotâmia. Em meio à desordem política generalizada, a Mesopotâmia converteu-se, por dez anos, em porção do reino de Palmira, até a expedição do imperador Aureliano. A luta contra os persas, porém, prosseguiu até o ano 298, quando Diocleciano submeteu a Mesopotâmia, até o Tigre, ao poder de Roma. Todavia, a luta continuou e, em 363, os romanos conseguiram uma trégua, mas tiveram que ceder Singara e Nísibis.
==> Depois de recuperar suas antigas fronteiras, perdidas durante o avanço de Khosro I, por volta de 530, a Mesopotâmia bizantina foi obrigada a enfrentar o agravamento do conflito com os persas, com a perda de diversas cidades e o exílio de grande número de cristãos.
==> E assim creio ter enfatizado os aspectos considerados ao trabalho, no tocante aos povos antigos da Mesopotâmia, agradecendo a oportunidade por adentrar um pouco o mundo fascinante dos homens da antiguidade.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Resenhas4 O NORTE AGRÁRIO E O IMPÉRIO

Resumo/ Fichamento do texto: “O NORTE AGRÁRIO E O IMPÉRIO- 1871 - 1889” , de Evaldo Cabral de Mello – TOPBOOKS, 2ª Edição -
Por Francisco José Alves de Aragão
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O NORTE, O SUL E A PROIBIÇÃO DO TRÁFICO INTERPROVINCIAL DE ESCRAVOS
Introduz o autor esquematizando as linhas gerais do processo de transição do trabalho escravo para o trabalho livre, que se processara em condições dessemelhantes de oferta de mão-de-obra no norte e no sul; oferta abundante de braços livres na lavoura açucareira e, na lavoura cafeeira, o recrutamento do elemento servil subutilizado das províncias meridionais; o café gozava de demanda remuneradora no mercado internacional e pôde recorrer à imigração européia, muito embora, tardiamente; aduz ainda o autor que, na Amazônia, a mão-de-obra para a borracha foi atendida pelos excedentes demográficos do semi-árido do norte, especialmente do Ceará.
O trabalho do autor refere-se aos últimos 20 anos do regime monárquico e concentrará sua análise nos conflitos de interesses entre o norte açucareiro e o sul cafeeiro, como nas questões da proibição do tráfico interprovincial de escravos e a imigração européia; diz o autor que a lavoura canavieira pôde integrar a massa trabalhadora livre que estava à margem de sua economia; de um lado, a almocrevaria, paulatinamente liberada pela implantação da rede ferroviária e, de outro, a sazonalidade dos corumbas, pequenos sitiantes do agreste, que desciam para a mata nos meses de moagem; A grande lavoura nortista não encontrava o problema da escassez da oferta de mão-de obra, situação esta oposta à do sul cafeeiro.
J.H. Galloway acentuou que, para a lavoura nortista, a abolição foi apenas um término de um longo período de transição, que representou um problema financeiro, político e emocional, mas não de mão-de-obra. No Ceará, província predominantemente algodoeira, em meados dos setenta, praticamente eliminou-se a servidão; o regime que já estava moribumdo foi eliminado pela seca de 1877-1879.
O senador cearense Figueira de Mello, no tocante à guerra do Paraguai, chamava “a grande desigualdade” na contribuição de sangue com que o norte e o sul concorrem para a defesa do Império; a grande migração, sobretudo cearense, do velho norte para o “novo norte” da borracha, confirma a estagnação econômica, apesar da mão-de-obra apresentar-se mais que suficiente.
1861- Tavares Bastos – falara que era natural que o otimismo do trabalho livre vingasse sobretudo naquelas províncias como o Ceará ou o Pará, onde a escravidão não tivera relevo econômico ou praticamente não existia.
No norte, houve o declínio do preço do preço do açucar e sua expulsão do mercado europeu, o que eliminou eventuaisvantagens decorrentes da substituição do trabalho escravo pelo livre. No sul cafeeiro, ao contrário, a desorganização da mudança do regime de trabalho pôde ser absorvida pela rentabilidade do café no mercado internacional e a posição monopolística da produção brasileira, o que habilitou a cafeicultura paulista a recorrer ao imigrante europeu. Falou o autor da prosperidade do Pará e do Amazonas devido ao “boom” internacional da borracha; disse que do trabalho do cearense só formalmente se consideraria livre, pois em realidade era reduzido quase à sorte dos antigos escravos.
A economia mineira se expandira na primeira metade do Séc. XVIII, atraindo grande quantidade de escravos do norte. Depois, com seu declínio, o movimento cessou. A partir de 1830, o crescimento econômico cafeeiro no Rio de Janeiro dá novo impulso ao comércio inter-regional e, em 1850, com a abolição do tráfico africano, ele toma vulto inusitado, constituindo as únicas fontes de mão-de-obra para a lavoura cafeeira.
As fontes parlamentares (1871-1880) dão conta de que o comércio se fazia para atender as necessidades de mão-de-obra da lavoura cafeeira, devido sua expansão. Era inevitável o dreno de escravos para o sul, salvo pela intervenção dos poderes públicos; Pernambuco cria pesado imposto, contudo, a medida se torna ineficiente. Recorre-se então ao governo Imperial. João Maurício Wanderley propõe a proibição do tráfico interprovincial, nos moldes da Lei Eusébio de Queiroz para o tráfico africano, no entanto, o projeto foi rejeitado pela oposição das províncias cafeicultoras, que não o viam como violação do Direito de propriedade. O baiano José Augusto Chaves propôs a “localização do escravo”, transformando-o em “servo”. Também não prosperou. Desde então houve o desinteresse pela questão.
O tráfico representou, em meados dos anos setenta, a única fonte de recursos para financiar as perdas de uma má safra. Para uma parte do movimento abolicionista, o tráfico apressaria a transição do trabalho escravo para o livre. Isso não impedia que a questão do tráfico se tornasse emocional, ao simbolizar o declínioda grande lavoura. Uma “hemorragia” em direção à prosperidade do sul. Ocorrem protestos contra o tráfico, haja vista as caravanas de negros constituírem a forma mais visível do desequilíbrio regional. No Ceará, o movimento abolicionista começa com a recusa dos jangadeiros de Fortaleza em transportar escravos para bordo de navios que partiam ao Rio de Janeiro. Um elemento inegável é o de que não se libertava o escravo, retinha-se sua força de trabalho.
(1867-68) pelo “princípio das províncias livres”, a escravidão ficaria extinta nas províncias onde não houvesse escravos, interditando-se aí sua entrada. Havia uma convergência dos interesses do norte e do sul: do norte, em vender; do sul, em comprar. Mas, revela-se fugaz e a lavoura cafeeira passará por uma mudança radical que levará às medidas antitráfico entre 80-81, que desferirão o golpe mortal no comércio escravista. Invertem-se as posições regionais, pois o norte, atingido pela crise da década de 70, tem no tráfico um recurso para financiar suas perdas e, o sul, começa a temer os efeitos da desproporção da escravaria existente. Pelo censo de 1872, as províncias cafeeiras concentram 2/3 da população escrava do país. Os mais pessimistas temiam, inclusive o imperador, um conflito regional nos moldes dos E.U.A., que levara à guerra de secessão. A lei Rio Branco emancipa o ventre e é o divisor de águas destas mudanças de atitudes. Porém, sua aprovação faz nascer desconfianças em relação ao tráfico, de que ela operaria em detrimento dos interesses escravocratas. Rio Branco viu-se obrigado ao apoio dos conservadores nortistas. Assim a lei foi aprovada mas, para a dissidência conservadora, estava óbvio que o norte se acumpliciara com o poder, a fim de “arruinar” economicamente o sul cafeeiro. Para Perdigão Malheiro, as forças nortistas haviam traído os interesses de classe da grande lavoura brasileira.
Em realidade, as províncias do norte seriam também seriamente prejudicadas pelo mecanismo emancipador da lei do Ventre Livre, pois a maioria dos escravos do norte era do sexo feminino, ao contrário do sul, que tinha uma população servil mais equilibrada. Outro efeito negativo da lei foi a taxa per capita, em vez de ad valorem, cobrada sobre os escravos para financiar o fundo de emancipação, adquirindo caráter discriminatório.Certo é que, com o ressentimento gerado pela lei, os interesses cafeeiros começam a olhar com outros olhos o comércio inter-regional. Os próprios senhores de escravos tornaram-se seriamente interessados na proibição, pois se deram conta de que, à medida que os fazendeiros nortistas vendiam seus cativos, tornavam-se menos apegados à instituição servil e mais inclinados a apoiar projetos emancipacionistas. Essa oposição ao tráfico por parte dos representantes das províncias cafeeiras visou primordialmente o prolongamento da escravidão, ameaçada pela lei do ventre livre.
Em 1875, o deputado paulista Rodrigo Silva, revela em um discurso dúvidas sobre a conveniência do comércio inter-regional de escravos. Falara ele do interesse nacional, que o aumento das exportações de café não compensaria o decréscimo ou aniquilamento das exportações de açucar, opinião esta que parecerá mais patriótica que econômica. Eram considerações de natureza política. A migração do braço escravo, de um lado para o outro, assumia um caráter predominantemente político, de desequilíbrio regional, que devia ser levado em conta pelo Estado.
Para o deputado mineiro Martinho Campos, caso não fosse abolido o tráfico, as províncias seriam condenadas a carregar com todo o ônus da escravidão em condições muito desiguais em relação ao resto do Império. Ele descrevia graficamente o tráfico como um “jogo de burro” entre o norte e o sul. Heráclito Graça, representante maranhense, estranhou-lhe os argumentos, que não lhe pareciam compatíveis com as doutrinas de um economista liberal.
A exportação de escravos subiu durante a seca de 1877-79 , notadamente no Ceará. Verificou-se, paralelamente, um incremento das exportações do café. Assim, de 1877 a 1880 aumentam as pressões do governo imperial pela proibição do tráfico; é quando, pela primeira vez volta-se a se cogitar o assunto, desde a iniciativa de Wanderley, sendo apresentados uns quatro projestos de abolição, com apenas um contento alguma intenção emancipadora, o de Camargo, representante gaúcho. Os demais visam, declaradamente, a prolongação da instituição servil. Em nenhum momento eles se escudam na conveniência de incentivar o trabalho livre e a imigração estrangeira.
Perdigão Malheiro acentuava o perigo político e social de uma cisão norte-sul, em linhas anti e pró-escravagistas, como nos E.U.A. Moreira de Barros tinha em vista, também com um projeto, sustar o antagonismo que via com pesar desenvolver-se entre as duas partes do Império, colocando todas as províncias no mesmo pé de interesses, para resolver, quando oportuno, a grande questão do elemento servil. Moreira de Barros era quem tinha vínculos escravocratas mais nítidos: fazendeiro de café, capitão do ministério sinimbu, executor da política destinada a promover a imigração chinesa para a grande lavoura cafeeira. As manobras contra o tráfico visavam primordialmente a prolongar a vida da escravidão. Dizia-se, através do projeto de Barros, que a proibição do comércio inter-regional, além de seu caráter humanitário, encerra também uma medida de salvação para a lavoura das províncias do sul. Constatava-se, pelo documento, que a diminuição da mão-de-obra escrava no norte, produzida pelo tráfico, coincide visivelmente com o desenvolvimento do sentimento abolicinista naquela parte do país.
O projeto de Moreira de Barros trouxe, contudo, um elemento novo: o apoio dos abolicionistas à idéia de proibição. Joaquim Nabuco defendeu a interdição do comércio inter-regional e sugeriu, como forma de transição, a localização do escravo. Também alvitrou que o escravo transportado de uma para outra província fosse reputado livre.
Entretanto, em muitos momentos, abria-se o jogo para deixar claro que a sobrevivência do regime escravocrata, base da prosperidade das províncias cafeeiras, constituía algo que se antepunha até mesmo à integridade do Império.
Em 1877, Martinho Campos concitará as províncias cafeeiras a agirem contra o tráfico, em face da indecisão do governo imperial. E é o que fazem as províncias do Rio, São Paulo e Minas, aumentando os impostos provinciais sobre os escravos entrados em seus territórios. Acusavam os abolicionistas de serem todos de províncias que exportavam escravos.
Em 1881, graças aos impostos, o comércio inter-regional estava praticamente morto. Só em 1885, pela lei Saraiva-Cotegipe, o parlamento imperial abolirá finalmente o tráfico interprovincial. A abolição do comércio inter-regional revelara-se insuficiente para desacelerar o processo emancipador nas províncias nortistas; este, ao contrário, toma novo impulso. Nascem então propostas visando amortizar o processo emancipador nas províncias cafeeiras, como a de localização do escravo, a provincialização dos recursos do fundo de emancipação. Como os recursos do fundo eram distribuídos anualmente, em proporção à população escrava de cada província, evidenciou-se que as províncias setentrionais estavam se beneficiando de quotas superiores à população de que dispunham, devido a intensificação do comércio inter-regional. Às cafeeiras, eram atribuídas quotas inferiores às que lhes deviam caber. O fundo tornara-se, então, um irritante mecanismo de aceleração da abolição no norte.
A existência de impostos gerais localizados parecia incompatível com o sistema fiscal do Império, o que poderia abrir caminho a inovações mais audaciosas. Começa-se um movimento no sentido de descentralização do processo de emancipação, pois o regime centralizador, doravante, ameaçava causar sérios inconvenientes. Havia uma homogeneidade de costumes, tendências e crenças nas províncias, no entanto, em matéria de interesses econômicos, tal homogeneidade não existia. Portanto, assinalava o representante do norte paulista, seria melhor que a competência das soluções dessas questões coubesse às assembléias provinciais. Também Prudente de Morais aderia a tal solução, dizendo que seria uma fórmula que melhor atenderia aos grandes interesses sociais e econômicos vinculados à instituição da escravidão, e, também, ao dos próprios abolicionistas. Contudo, a grande maioria do sentimento escravocrata não estava disposta a trocar o certo pelo incerto, a centralização pela descentralização, isso tudo constituía um remédio demasiado arrojado, pelo que viam com grande reserva a tendência das assembléias imiscuírem-se na questão do regime de trabalho. Era intrometer-se em assunto que constitucionalmente lhes escapava, por ser de competência geral, uma faca de dois gumes para os interesses escravocratas.
Mesmo no norte, Ceará e Amazônas, a libertação de escravos provocara reflexos de intransigência. O abolicionismo, explicava Inácio Barreto, ameaçava a integridade do Império; não se tratava de imaginação enferma ou de mera hipótese disparatada.
A esta altura, a proibição do tráfico pelo governo imperial contava com o apoio de emancipacionistas e de escravagistas. Em 1885, não houve divergência a respeito da proibição do comércio inter-regional. O governo imperial vai manipular o tema desde 1882, para enfrentar a agitação crescente dos grupos abolicionistas. De 1882 a 1885, no ministério Paranaguá, é incluída a proibição do tráfico no seu programa de governo. Em vez de referir-se à proibição do tráfico, o governo propõe a localização do escravo, o que significava dizer tratar-se de vestir a idéia da proibição com roupagem nova, mas não é a “localização” que os abolicionistas têm em vista.
Na verdade, a proibição já deixara de ser uma questão viva, já não satisfaria as reivindicações abolicionistas. Com a ascensão do gabinete Dantas, o governo estava disposto a encaminhar, em bases mais amplas, o problema da servidão, mediante emancipação dos sexagenários e aumento do fundo, sendo a proibição do tráfico apenas mais um artigo. Posteriormente, a lei Saraiva-Cotegipe incorporou finalmente a proibição à legislação imperial, bem como a mudança do domicílio do senhor, a transferência de escravos para fazenda do mesmo proprietário localizada em outra província, a adjudicação forçada e a herança. Contra a lei dos sexagenários alegou-se que apressaria a emancipação no norte, atrasando-a no sul; que prejudicaria as províncias cafeeiras e beneficiaria suas irmãs setentrionais. Na verdade, a lei Saraiva-Cotegipe continha aspectos altamente discriminatórios para a lavoura nortista, que seriam proporcionalmente mais atingidas pela medida.
O tráfico interprovincial havia deformado profundamente a distribuição regional da população escrava brasileira, com a preferência pelo sul dos escravos jovens e de sexo masculino. Tira-se a impressão de que, no bolo dos ganhos derivados do tráfico, a fatia do proprietário ter-lhe-ia servido apenas compensar as perdas incorridas nos anos difíceis. Os grandes beneficiários foram aqueles que promoviam e controlavam, isto é, comerciantes das capitais nortistas e, sobretudo, da corte. Cristiano Otôni indicou que o comércio inter-regional constituía fundamentalmente um negócio da praça do Rio de Janeiro: comerciantes iam ao norte comprá-los e, para não pagar dobrado o imposto de transmissão, os traziam com procuração dos vendedores, para na corte lavrar as escrituras. Era um grande mercado e, os compradores, basicamente, eram os grandes produtores de café, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Por fim, o autor faz uma observação final referente às lavouras das províncias mais prósperas do norte, ou seja, os engenhos da mata, pelo que parece, resistiram melhor ao dreno de sua mão-de-obra para o sul. Pelo visto os escravos procediam das cidades, do agreste e do sertão, e não tanto da zona da mata.
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